segunda-feira, 29 de abril de 2013

Lar doce, lar.



Era a última remessa de coisas que ia buscar no quarto e quando entro vejo Lara sentada no sofá olhando para as bagagens. Eu sabia que ela sentiria minha falta, mas também não ia demorar a colocar alguém lá dentro.

- Bom... To indo... O dia que quiser me ver, estou no final da rua do Café grãos torrados e tostados... – Disse enquanto saia devagar pela porta.
- Espera! – Lara Gritou - Não vai Best! Vou sentir sua falta, quer dizer, eu já estou sentindo! Vou sentir um vazio nesse quarto sem livros espalhados... – Lara estava com uma cara triste. – Tem certeza que quer mesmo ir?


- Amiga, agora não tem como voltar atrás! Você não tem ideia do sufoco que foi arrumar/pagar esse apê. Mas olha se quiser você pode ficar indo pra lá quando quiser e dormir até. Sei que não vai demorar muito para colocar alguém aqui...
- Na verdade eu já arrumei uma colega de quarto... – Eu arregalei os olhos de espanto, como foi tão rápida assim essa bandida. - Ashley Corono...  Não quis pensar na hipótese de dormir nesse quarto sozinha,então ela me chamou para ficar em sua casa... Mesmo sabendo que você não gosta dela...Daqui a pouco ela chega aqui, vai me ajudar a levar minhas coisas! Falando nela, preciso te contar uma fofo...
- Vou me retirar antes que sua nova colega de quarto invada esse ambiente que aqui estou presente e me faça sentir repulsa.  –Debochei. E senti um baita ciúme, claro. – Depois você me conta de fofoca, amiga! Preciso ir logo! Ah antes que eu me esqueça, to precisando de uma ajudinha pra arrumar o apê, se puder me ajudar...
- Mais tarde passo lá! Aproveito e te conto os “baphos” todos!



Despedimos e então fui carregando umas malas para o apê. O caminho não era muito longo, mas eu já estava tão fatigada que qualquer esforço era o fim. 





Quando estava quase chegando perto a lanchonete, sinto que tem alguém seguindo meus passos e se aproximando rapidamente o que me fez suar frio. Foi então que senti uma mão deslizar sobre o meu ombro. No susto, joguei as malas pro chão e dei um grito. O impulso falou mais alto.



- Calma, calma! Não precisa se assustar! Sou eu, olha... O Pierre! – Foi então que direcionei meus olhos para ele e com aquele sorriso meio encabulado fizeram-me recuperar rapidamente.
- Nossa, você me deu um susto! Podia ter tomado uma mala na cara, sabia?
- Do jeito que elas estão no chão e você se assustou, acho meio difícil. – Disse ele entre sorrisos. Foi então que se abaixou e pegou as malas que estavam jogadas no chão. – Eu estava a sua procura durante toda essa semana, me falaram que é monitora... Mas nunca era possível te encontrar... Eu queria agradecer o que fez por mim aquele dia. Para ser sincero, não me recordava muito bem do seu rosto, apenas do nome.
- Ah, tudo bem... Apenas quis ajudar... – Era impossível olhar fixamente ao seu rosto e não dar um suspiro se quer.
- Sim... De qualquer maneira, obrigado! – Pierre abriu um sorriso. – Então ta beleza, agora eu tenho que ir... Tchau... Bom te vê... – Pierre deu uma piscadinha seguida de um sorriso e saiu.



Entrei no apartamento, respirei fundo e pensei “meu novo lar, dessa vez, só meu” um alivio saiu enquanto expirava e tive a sensação mais calma do mundo.